26.1.05

A DESVERGONHA

“E no regresso vinham todos”



Cuida, o daninho, que já expiou.

Menos de três anos depois do abjecto colapso, fabricado no laxismo, na vacilação e na cobardice, que transformou uma conjuntura favorável num lodaçal miserável, o dissimulado fez contas manhosas e, a rastejar como é seu costume, saiu do alvéolo.

Cuida ele que os portugueses cabem na descrição de Guerra Junqueiro, que os fazia “um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas…”

Cuida ele que a impunidade está a preços de feira e, ontem, no palco do CCB, chegou a ironizar, a fazer graças.

E pede, vejam só, uma “maioria absoluta.”

Se à vacuidade deprimente do engº. Sócrates se afivela este salvado do asilo dos fracassos, rebocando a matula que espojinhou o celeiro do Orçamento, talvez que o taludo cuide mal.

Talvez que o povo “humilde e macambúzio” vá buscar brio para compor a “energia dum coice”.



critovãodoVale