Minha Rica Casinha
14.6.07
13.6.07
O brinde a Lord Palmerston
«Ascendem a Ministros alguns homens com pouca prática da sociedade. Cincam, principalmente, em certas normas da pragmática e da cortezia. O titular de uma das pastas oferece um jantar aos chefes das missões estrangeiras.
À sobremesa, um colega sopra de tal modo a espuma da sua taça de champagne, que ela transborda e estraga o vestido da esposa do encarregado de negócios da Suécia, Mme Kantzow. Doutra vez um destes mesmos Ministros, num jantar em que não havia brindes, teima em fazer um, a Lord Howard, e principia:
- Senhores, je bais à la santé de Mr. Lord Palmerston.
O ministro de Inglaterra limita-se a responder-lhe:
-Mr, le ministre, vous êtes extrement aimable.
Nos corredores das legacões e nas salas da aristocracia casquina a risota por largo tempo.»
Eduardo Noronha
bruventana
Bilhete de Vale de Lobos

«Um dos círculos menos disputados era, nessa ocasião, o de Freixo de Espada à Cinta. Propunha-se como deputado da oposição um obscuro Gervásio Maldonado, proprietário local, com uma parentela larga na terra, interesses de lavoura, etc., e o Governo Cardoso Torres combatia-o, apresentando na lista governamental, como candidato por Freixo de Espada à Cinta, o moço bacharel Artur Gavião, filho do Presidente do Banco Nacional, que o pai, cansado da sua dissipação, queria forçar, pelos deveres que lhe imporia S. Bento - isto é o Parlamento - a uma vida disciplinada, sóbria e útil.
Conta-se que o sr. Alexandre Herculano, a este respeito, dissera, com aquele espírito misantropo que a sua voz ríspida acentuava de um relevo amargo: Se o Gavião queria morigerar o rapaz, devia-o conservar no bordel, e não o mandar para o Parlamento !»
Eça de Queirós
Bruno ventana
As lulas comunicam entre si polarizando de forma variável a luz que reflectem
“Eram oito letrados ilustres, mais o filho de Yang Tche-Tchung, atrasado mental, o que fazia um total de nove “
Wou King-Tsen
(Crónica indiscreta dos mandarins)
Bruno V
Nunca se esqueça da "máxima" do sábio Almeida Santos
José Luís Saldanha Sanches. Por José António Barreiros.
(via o insurgente)
Adenda: André, nunca se esqueça da "máxima" do sábio Almeida Santos: para os amigos, tudo, para os inimigos, nada, e para os outros, cumpra-se a lei. O SS para lá caminha.
por João Gonçalves em 13.6.07 (portugaldospequeninos)
crisdovale
As marchas do Leitão de Barros
«(...) Cheguei à conclusão que o salazarismo ainda mete medo a todos quantos vêem nas críticas aos actuais partidos, uma rejeição do regime de partidos, preferindo as marchas do Leitão de Barros, dado que sabem que, se outras fossem as condições geopolíticas e geofinanceiras, já teria havido um desfile de Gomes da Costa (ex-militante de um partido de extrema-esquerda do 5 de Outubro e que teve como conselheiro e inspirador o avô da Drª Manuela Ferreira Leite, pretexto para a greve académica de 1907, quando Alfredo Pimenta ainda era anarquista e António Sardinha republicano e positivista) na Avenida da República, ou, então, para sermos mais prosaicos, uma carta de intenções do FMI contra a bagunça. Infelizmente, o próximo 28 de Maio apenas será a cláusula de opting out para a saída da zona euro, coisa que não virá de Braga, a cavalo num comboio, mas de Bruxelas, sem aterrar no aeroporto da Bóina Verde e Vermelha... »
(in Tempo que passa)
crisdovale
The truth is simpler
«Politicians and pundits often like to think that elections are won through a mixture of policies, big ideas and an appealing image. The truth is simpler. All these are but ingredients of a larger point: trust. Most people are not very interested in politics. They decide either that they trust an incumbent government so little that they kick it out, or that they trust a party enough to put or keep it in.» (The Economist, 21.2.2002.)
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(via Bloguitica)
crisdovale
Actualidades
“Ter toadas he ter noticias mas não he ter certezas. Do ruge-ruge se fazem as cascaveis, porem parece-me que não he esta a mata de onde há de sair o coelho.”
Cavaleiro de Oliveira
crisdovale
12.6.07
Largos dias têm cem anos
"O acerto de hoje amanhã é erro e o desejado conseguido enfastia, porque tudo se vai alternando"
Memorial(pag 95)
Pinto da Costa acusado de corrupção desportiva
Apito: Morgado acusa Pinto da Costa
Apito Dourado: Pinto da Costa acusado de corrupção desportiva
Apito DouradoPinto da Costa acusado de corrupção activa
Não se trata, no caso, de uma árvore na floresta, mas tão só de um buxo na floresta.
A este propósito, não se esquecerá o papel que os jornalistas portugueses tiveram no acompanhamento, ao longo de décadas, dos êxitos do dragão, sob o papado do comendador Gomes e à mão de Pedroto e Pinto da Costa, com a coincidência admirável de os enganos de árbitros, conselhos de arbitragem, conselhos de disciplina e demais organismos ligados ao futebol nacional, jamais terem redundado em prejuízo do futebol clube do Porto.
Foi tudo, terá dito um deles (dos de topo) a uma então jovem jornalista, que o relatou no jornal onde ainda hoje escreve, por "amor ao futebol"...
crisdovale
crisdovale
Esclarecer
Excelente dissertação de Augusto Mateus (Sic-Notícias, 21.00) sobre a questão do futuro aeroporto. Informado, claro, sereno e preparado, prestou o que no caso faz falta como pão para a boca: esclarecimento.
crisdovale
No desenho do esquema

Raul Brandão
"Assim pensavam os monstros sagrados de Vailland, o militar Laclos, o aventureiro Casanova, Gallois, o matemático, o cardeal de Bernis e essoutro de que ninguém fala, Louvet de Couvray, alma e corpo de Faublas - todos, em suma, libertinos no moderno sentido da palavra, que tinham do mundo uma concepção progressiva, fria e experimental e que viam na contradição das regras e dos interesses a boa oportunidade de se aplicar um conjunto de azares e de golpes meditados com destino a minar e render a praça inimiga.
Assim pensava, e muito antes deles, o português D. Luis da Cunha (1662-1740), autor das Instruções a Marco António de Azevedo Coutinho, breviário racionalista para uso de todo o bom governante, em que se faz testamento solene de muitas regras do grando jogo, os respectivos interesses e alianças, e se fala dos « subterrâneos por onde estas se pretendem conseguir para se contraminarem »
Minar, contraminar... No desenho do esquema está o êxito da partida."
José Cardoso Pires
brventana
Uma língua de terra
«Um sítio [...]: isto é – uma língua de terra onde construímos as nossas casas e plantamos os nossos trigos.
O nosso sítio é Portugal. Não é propriamente uma nação, é um sítio. Já não achamos mau!
A Lapónia nem um sítio é: apenas uma dispersão de cabanas, na vaga extensão da neve. Podemos pelo menos desdenhar a Lapónia. A miserável Lapónia!
Como a nossa organização é mais rica, a nossa raça mais digna! Nós ao menos temos um sítio!»
Eça de Queirós
brventana
11.6.07
O jogo da dama

The primary or fundamental movements of the new school of the dance must have within them the seeds from which will evolve all other movements, each in turn to give birth to others in unending sequence of still higher and greater expression, thoughts and ideas ... "
Isadora Duncan
guido sarrasa
Pelo silêncio, com muita discrição
«Neste quase ano e meio que leva em Belém, Cavaco Silva tem levado ao extremo a conhecida máxima do general Franco: “Somos escravos das nossas palavras e donos do nosso silêncio.”(...)»
Pedro Correia Segunda-feira, Junho 11, 2007
«O recuo e o desnorte», Francisco Almeida Leite
(in Corta-fitas)
crisdovale
Un recordatorio de cómo pasa el tiempo

«En 1910, los niños soñaban con ser toreros y la glorieta de Bilbao era este descampado. La foto la cedió Milagros García Rua, su padre es uno de los niños. El fotógrafo Chema Conesa, uno de los coordinadores del proyecto Tus fotos cuentan mucho, explica la selección para una proyección en Photoespaña por varias razones: "Es un inocente juego de niños en un Madrid todavía por hacerse, un recordatorio de cómo pasa el tiempo. Entonces los niños querían ser El Gallo, igual que ahora quieren ser Beckham. La sorpresa de la foto es que sea la glorieta de Bilbao, parece increíble".» (El País-11.6)
crisdovale
10.6.07
Uma terra de mar

The original intention

Un mystère

Harriet Beecher Stowe
crisdovale
É melhor assim
«Mário Soares deu ontem uma entrevista. Mais valia não a ter dado. (...)»
V. Pulido Valente
(Publico-10.6)
crisdovale
O duende
“Son mis amores reales”
La devise de D. Juan de Tassis y Peralta, Conde de Villamediana
(“Chevalier de l´arène qui affronttait à pied les taureaux simplement pour qu´étincelle la devise que le mena à mort” – L.M. Dominguin)
O duende, como todo o bom bailador da esquivança, tem pergaminhos difíceis.
O seu campo é um território de labirintos e galerias, para o correr vai-se melhor com explorador. Espanhol e poeta: Federico Garcia Lorca.
O duende, conta Lorca, é um poder não uma atitude, é uma luta não um conceito, e nenhuma emoção é possível sem a sua mediação.
Olé! Isto tem duende!, bradou o bailarino cigano La Malana ao ouvir Brailowski tocar um fragmento de Bach. Agarrara o é da coisa, como Goethe quando, falando de Paganini, falava de um poder misterioso que todos podem sentir e nenhuma filosofia pode explicar.
O duende fantasia nas interioridades escondidas e, no dizer do nosso explorador, encontra-se durmiendo en las últimas habitationes de la sangre.
Ama as fronteiras e as feridas, e aproxima-se dos lugares onde as formas se fundem num anseio superior às suas expressões visíveis. Ser misterioso, meio diabólico meio angélico – os dois ao mesmo tempo – costuma inspirar os que nele crêem.
A sua funda vocação, acrescentaria Henri Thoreau, é a de sugar o tutano do dia.
Encanto da região do fogo, demónio furioso e devorador, irmão dos ventos carregados de areia, o duende baila com particular ligeireza por dentro dos cantadores ciganos, dos toureiros e dos poetas.
É ver João Cabral de Mello Neto:
(...)
Mas eu vi Manuel Rodriguez
Manolete, o mais deserto,
o toureiro mais agudo
mais mineral e desperto,
(...)
o que à tragédia deu número,
à vertigem geometria
decimais à emoção
e ao susto, peso e medida,
sim, eu vi Manuel Rodriguez,
Manolete, o mais asceta,
não só cultivar sua flor
mas demonstrar aos poetas:
como domar a explosão
com mão serena e contida,
sem deixar que se derrame
a flor que traz escondida.
E como, então, trabalhá-la
com mão certa, pouca e extrema:
sem perfumar sua flor
sem poetizar seu poema.”
Sueño de una sombra /o sombra de un sueño, dizia José Bergamin, mas o duende, digo eu, tem um outro dom que é o da impermanência, a arte de dizer adeus com elegância.
brunoventana
Foi ao aprisco do grande...
Sua Majestade Imperial visitou o Sr. Alexandre Herculano. O facto em si é inteiramente incontestável. Todos sobre ele estão acordes, e a História tranquila.
No que, porém, as opiniões radicalmente divergem - é acerca do lugar em que se realizou a visita do Imperador brasileiro ao historiador português.
O "Diário de Notícias" diz que o Imperador foi à mansão do Sr. Herculano.
O "Diário Popular", ao contrário, afirma que o Imperador foi ao retiro do homem eminente que... O Sr. Silva Túlio, porém, declara que o Imperador foi ao Tugúrio de Herculano; (ainda que linhas depois se contradiz, confessando que o Imperador esteve realmente na Tebaida do ilustre historiador que...)
Uma correspondência para um jornal do Porto afiança que o Imperador foi ao aprisco do grande, etc.
Outra vem todavia que sustenta que o Imperador foi ao abrigo desse que...
Alguns jornais de Lisboa, por seu turno, ensinam que Sua Majestade foi ao Albergue daquele que...
Outros, contudo, sustentam que Sua Majestade foi à solidão do eminente vulto que...
E um último mantém que o imperante foi ao exílio do venerando cidadão que...
Ora, no meio disto, uma coisa terrível se nos afigura: é que Sua Majestade se esqueceu de ir simplesmente a casa do Sr. Alexandre Herculano!
Eça de Queirós
crsdovale
9.6.07
Grande amontoado de pedras

Pedrouços, zona entre a ribeira de Algés e a avenida da Torre de Belém, foi até ao final do século XVII um local pouco povoado e, como todas as zonas periféricas da cidade de então, tinha quintas de gente nobre - entre elas avultava a dos duques de Cadaval - e algumas habitações modestíssimas. A moda do banho de mar, vinda de outras terras, assim como a crença crescente nas qualidades terapêuticas dos banhos de mar, contribuiu para Pedrouços se tornar num local de veraneio e de divertimento. Ao facto de ter areia e água limpa juntou-se uma nova forma de sociabilizar, menos rígida. A sociedade lisboeta passou a ter o hábito de ir tomar banhos de “mar” para Pedrouços e toda a família que se quisesse destacar, demorava-se, pelo menos, dois meses. Garrett por ali chorou vários desgostos de amor, Herculano acompanhou-o, mas contrariado, Fontes Pereira de Melo e Hintze Ribeiro aproveitavam para descansar das lides governamentais.Esta praia foi muito “elegante” entre 1840 e 1875 mas, no final do século, com a abertura da via-férrea, perdeu importância, destacando-se a praia de Cascais onde a Família Real tinha casa. A linha de Cascais foi inaugurada a 30 de Setembro de 1889, iniciando-se na estação de Pedrouços, aguardando pela conclusão das obras que iriam ligar ao Cais do Sodré. Ao longo do século XX, Pedrouços evolui para bairro citadino. O êxodo dos habitantes da cidade de Lisboa em busca de melhores ares, aquando das epidemias de cólera e febre-amarela nos finais do século XIX, e o aparecimento do carro americano e, depois, do eléctrico aproximaram-no da cidade.
" O pulo do lobo e a estratégia da aranha"
Os verdadeiros problemas do país dissecados impiedosamente por um jornalista desassombrado.
Absolutamente imperdível, para perceber como se jogam os golpes e onde espreitam, realmente, os perigos.
No Expresso de 9.6, assinado por Sousa Tavares.
crisdovale
Os guisados da Eufémia
Lembrando Camilo Castelo Branco, nas peripécias de A Corja:
"- As línguas do mundo... - murmurou o padre, inclinando a um lado o semblante de olhos quebrados como o discipulo amado no quadro da ceia de Vinci.
- A consciência, padre João, a consciência, e deixe lá as línguas do mundo, excepto as de vaca, que a Eufèmia guisa ricamente.
E o encomendado num riso rinchado:
- O Sr. Cónego é um maganão quando está de bom humor!.. "
brventana
A Fialho de Almeida deparou-se-lhe a manchete do Expresso
Ao autor da manchete, desde o pico da mioleira até à sua base de cimento, tudo nele conduz à inferioridade dos grandes simianos de poupas apartadas ao meio.O pobre diabo sarabandeando os neuronios, listrando d´amarello e vermelho as calças dos periodos, aparando os callos dos trópos, pondo barretininhas de chifre na cabeça marcial dos adjectivos, enfileirando linhas, coitado, preso á banca do supplicio, a recoser-se, a derreter pra´li os torresmos da psychologia e da syntaxe e tudo isto para afinal do licoroso melão anunciado, o leitor, não tocando nem de longe a pitança da polpa, comer apenas as cascas.
Ao celeste jornalista, só vale a pena dizer: Homem, isso não é música, é um boi que saltou a trincheira do sol! Ora queira embolar-se, amigo Pratas, e fazer o favor de seguir o que lá está.
crisdovale
8.6.07
Muchas gracias don José
“La música callada del toreo”
Un prodigioso mágico sentido,
un recordar callado en el oído
y un sentir que en mis ojos sin voz veo.
Una sonora soledad lejana,
fuente sin fin de la que insomne mana
la música callada del toreo.
Rafael Alberti

...Morante, naquele último touro, não foi só Morante, foi o toureiro que todos deveriam ser, o refazedor do tempo, lento e sem ouvidos aos avisos que cronometram este arte tão de dentro.
Morante es Morante porque es Morante
Morante traza geodésicas JOSÉ SUÁREZ-INCLÁN
Los 6 TOROS de Morante, una tarde que pasará al recuerdo
crisdovale
Velocidade
O fim de Zapatero
É extraordinário ver a velocidade a que Zapatero hipotecou qualquer hipótese de ser levado a sério nos temas fulcrais do país que governa.
(DE-8.6)
crisdovale














