2.12.05

PARA O FUTURO

"A dissolução do Parlamento quando existe uma maioria só deverá ocorrer em circunstâncias muito extraordinárias", disse Cavaco Silva, em entrevista à RTP.

Como exemplo dessas "circunstâncias muito extraordinárias",o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP apontou uma situação em que estejam postas em causa "a credibilidade e o funcionamento das instituições democráticas".

"Mas não me atrevo a pensar em recorrer a uma arma tão extraordinária", acrescentou Cavaco Silva, apontando a estabilidade como um dos factores que mais preza.

Questionado sobre se considera a saída de um primeiro-ministro a meio do mandato como razão suficiente para que o chefe de Estado dissolva a Assembleia da República, Cavaco Silva disse que não.

"Penso que não, se existir apoio maioritário no Parlamento, essa maioria pode gerar outro primeiro-ministro", disse, lembrando que caberá sempre ao Presidente da República aceitar ou não o nome proposto.

Instado a comentar a decisão do actual Presidente da República, que há cerca de ano e meio aceitou o nome de Pedro Santana Lopes como sucessor de Durão Barroso à frente do Governo após a sua saída a meio do mandato, Cavaco Silva começou por dizer que nunca ninguém lhe ouviu "qualquer crítica" ou palavra de "objecção" à atitude de Jorge Sampaio.

Perante a insistência da jornalista nesta questão, o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP acrescentou depois que considera que Jorge Sampaio "não tinha outra alternativa nos termos constitucionais".
(...)
"Esta é uma candidatura pessoal, que não foi apresentada por partidos", afirmou, salientado que a campanha que está a desenvolver foi "pensada para um candidato independente de forças partidárias".

Já no final da entrevista, que teve uma duração de 30 minutos, Cavaco Silva acrescentou que, desde que abandonou o cargo de primeiro-ministro, há dez anos, está afastado da vida partidária e que apenas expressou opiniões "na qualidade de cidadão".

"Nunca tive tendência para interferir na vida partidária (...). Não ditei regras, mas posso expressar a minha opinião", referiu.

Questionado por que razão participou então em todas as campanhas eleitorais desde essa altura, à excepção da campanha para as legislativas de Fevereiro deste ano, Cavaco Silva começou por negar tê-lo feito.

Depois, o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP acabou por admitir ter participado num comício no Porto com Durão Barroso na campanha para as legislativas de 2002 e na campanha para autárquicas deste ano, mas justificou essa sua intervenção como sendo "uma participação cívica" e, no caso das eleições para as autarquias, como uma intervenção motivada por "razões afectivas".

Na entrevista, Cavaco Silva escusou-se ainda a fazer qualquer avaliação do Governo de José Sócrates, apesar de sublinhar a "coragem de algumas decisões" tomadas pelo executivo de maioria socialista.

O artigo que escreveu há um ano, em que alertava para a ausência de políticos competentes, foi também lembrado nesta entrevista, com o candidato a Presidente da República a insistir que apenas estava a dar "voz ao sentimento da generalidade da sociedade" em relação ao afastamento das elites da vida política.

"Tiraram ilações que não estavam na minha mente", sublinhou, recusando qualquer ligação desse artigo com a decisão que o Presidente da República tomou quatro dias depois de dissolver a Assembleia da República.

A necessidade de existir uma "cooperação estratégica" entre o Presidente da República, o Parlamento e o Governo em relação "a objectivos prioritários" do país, como a educação, voltou igualmente a ser defendida por Cavaco Silva, numa perspectiva de "congregação de esforços".

Cavaco Silva recusou ainda qualquer responsabilidade pela actual crise orçamental, lembrando que quando abandonou o Governo "a situação orçamental (portuguesa) estava melhor do que a espanhola".

"Só depois a situação se tornou pior", acrescentou.

O candidato recusou, por outro lado, a ideia de que uma vitória de Mário Soares ou Manuel Alegre nas eleições presidenciais de 22 de Janeiro possa pôr em causa a democracia.

"Não vejo nenhum problema em matéria de democracia. O problema é que candidato pode melhor contribuir para o futuro", esclareceu, salientando que aceitará qualquer resultado.

"Nunca disse que ia ganhar. Coloco isso nas mãos dos portugueses. Só no dia 22 de Janeiro saberemos quem é o próximo Presidente da República", acrescentou.

Com Lusa
(sic online)



bventana

5 Comments:

At 1:01 da manhã, Anonymous Anónimo said...

É fundamental robustecer o desempenho, nem as memórias são "escrituras", nem o BP é "Papa".
PP

 
At 1:03 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Assim não se aproveita a onda. É CRUCIAL ELEVAR O PROFISSIONALISMO DAS ASSESSORIAS!
Mau exemplo de profissionalismo nunca passa desapercebido...mesmo aos tolos.
LC

 
At 1:05 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Atenção ao excessos de confiança resultantes das sondagens. É preciso fazer mais e, sobretudo, fazer melhor!
RR

 
At 1:17 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Poderia ter sido realçado neste post, o embaraço de Cavaco Silva, quando confrontado pelo desmentido da Judite de Sousa sobre a sua não participação na vida politica desde que deixou de ser primeiro-ministro.

 
At 1:24 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Ó Sr Gomes : um comício no porto e outro em Loulé EM DEZ ANOS!
Francamente...

jose azevedo

 

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