16.12.04

ARABESCO


“É tudo por amor de Portugal”



As finuras do espírito e do cigarro desprendem-se, em giros elaborados, contra o azul que o Tejo arroja ao tijolo.

Daquela varanda do Bairro Alto, noutros tempos, Jerónimo Condeixa saboreou tréguas de armas, das que usava levar a campo nos torneios do amor.

Um Novembro, de lume esplêndido, restitui-me as memórias, lentas, de outros Novembros, que, de catorze que foram, tiveram “todolas sortes de color pêra pintar, verdes e ocres e gialos e pretos”

Sei hoje, por ter visto ao perto, como trabalha o mecanismo e desencaracola o enredo.

Uns entram, por mor da saída de outros, e, enquanto residem, fazem paragens, desvios e avanços.

Vestem-se de ocasião e passeiam bons predicados, ajeitando as almas, suavizam os traços e ataviam-se de rasgos, por portaria e regulamento, tratando de dar ao futuro uma forma.

Se uns ganham benfeitorizo e mais galhardos ficam, outros pioram males e azares.
Igual é que ninguém sai destes sítios.
A
coisa é feita de angústias e apego, de golpe e bravado, mas a vilania, de passo com a soberba também fazem parte.

Contendas e intriga, que conjuram malquerenças, a par de fés e fidelidades que forjam estimas, entram no combustível da acção.

Domina neste ensemble a lei da variedade.

E é interessante: malfeitorias e êxitos, juntados, engendram movimento.


A Avalon e Venâncio



Brunoventana