16.9.06

Balsemão de panamá

O Expresso, num arroubo de fair play invulgar, deu uma "capa de avanço" ao Sol no primeiro dia de corrida. Tapar metade da primeira página com uma fotografia (que manifestamente se pretende "belíssima") de Maria Elisa é de uma generosidade a que só os mais prendados podem aspirar.
O concorrente não foi de modas e, feita a competente sondagem, vem contar ao país que os portugueses consideram Soares o pior Presidente da República dos últimos cinquenta anos.
A realidade, nomeadamente a do segundo mandato, de facção, começa a furar a engrenagem (de que Estrela Serrano deu testemunho) que durante tanto tempo acobertou impunidades e promoveu glosas laudatórias, e agora, tranquila, vem vindo à tona. A emersão, tem de se conceder, é ajudada pelo próprio "velho leão", como tristemente assinala Rebelo de Sousa no mesmo Sol: «Só que ouvir falar Mario Soares na RTP do 11 de Março é patético: sem querer, legitima o terrorismo e caricatura os americanos em termos pouco abonatórios para um homem inteligente.»

crisdovale

5 Comments:

At 8:19 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Dias depois da recente morte de "O Independente", há um dia de "Sol" na imprensa portuguesa. Hoje saiu o primeiro número do jornal fundado pelo ex-director do "Expresso", José António Saraiva. E pelo primeiro número, é possível dizer, desde já, que o novo projecto jornalístico veio para ficar, traduzindo uma máxima, segundo a qual, o sol, quando nasce, pode ser para todos. Com um jornal assim não haverá jornal gratuito ou Internet que afectem a audiência semanal. E no que ao futebol diz respeito, tem o essencial para o fim-de-semana, sendo interessante a inclusão da agenda do futebol nos vários campeonatos europeus, assim como as respectivas classificações e a indicação dos jogos que são transmitidos pela TV. No resto, é imaginativo nos conteúdos e excelente no grafismo, sendo de destacar o facto de não ser necessário recorrer a uma lupa para ler o jornal. É claro que há semelhanças com o "Expresso". Digamos que o "Sol" é um "Expresso" renovado. Um "Expresso" que Balsemão gostaria de ter. Mas não tem. Pelo contrário, o "Expresso", agora com Henrique Monteiro na direcção, continua a piorar a cada semana que passa. Então hoje, comparando o "Expresso" com o "Sol", é evidente que o jornal de Pinto Balsemão está uma sombra daquilo que já foi. E esta mudança de formato tornou o produto final bastante estranho dentro do saco de plástico, com os cadernos "Actual" e "Emprego" a não caberem dentro do primeiro caderno e do caderno de Economia. E enquanto o semanário de José António Saraiva se apresenta diversificado e fácil de ler, o semanário de Balsemão está denso e nada atractivo. O militante número 1 do PSD, que será o melhor empresário de comunicação social em Portugal, tem razões para estar preocupado...

 
At 8:32 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Tenho de facto impressão que o SOL - ainda um pouco atabalhoado - vai morder a liderança do Expresso.
Vamos ver, mas este último está mesmo com pouco conteúdo.
AS

 
At 1:48 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Saúda-se o regresso do jornalismo competente.

PBF

 
At 3:52 da tarde, Anonymous Anónimo said...

O senhor arrebenta explica-se longamente e bem sobre a essência da coisa. Mas, é bom não esquecer que a visão apresentada não se aplica, longe disso, apenas a este pequeno país.
E a "questão geracional" não é tão linear como lhe parece.
O que não significa naturalmente que se não tenha de remar contra a maré.
Agora, meter Cavaco Silva e Soares no mesmo embrulho, isso é que tenha lá santa paciência qualquer pessoa com um pingo de atenção e razoabilidade não engole.
Um deu um contributo invulgar para o progresso e modernidade da sociedade em que nasceu, o outro foi um soberbo usufrutuário dessa sociedade, como em Africa o foram os sobas.
Boa tarde e boa sorte.

Jmn

 
At 3:58 da tarde, Anonymous Anónimo said...

É interessante cruzar algumas coisas destes comentários com o texto (de antologia) de Fernando Pessoa - Fragmento sem data - e ainda com aqueloutro editado há dias na Minha Rica Casinha de Alexanfre Herculano, "1834".
O puzzle não fica completo , mas quase....

José Freire Mendes

 

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