29.10.04

"OS NEGÓCIOS FAZEM-SE À MENSA"

Fernando Martins


Diz comensal da mesa vizinha que, no jantar científico do Porto, o semblante do mandarim não tinha a cultivada jubilação do costume.

“Terá sido das tâmaras?” Perguntou-se em voz alta um outro comensal dessa mesma mesa vizinha.

“Hum, não me parece, que de tâmaras gosta ele muito”, retrucou o primeiro comensal.

“Só se foi aquela do Sócrates dizer que o país precisa da ciência para se tornar mais competitivo…”, lembrou o primeiro comensal.

“É isso, com os diabos! Então não querem lá ver que o transmontano quer por os cientistas a render!”, disse, submerso na descoberta o outro comensal, também ele, embora num plano mais diletante, aderente indómito da ciência fundamental, da pura.


brunov